27 de agosto de 2010

Diana - O Deitar

Precipito o ensejo do deitar. Meu cravo. Não aquele em que estudo enternecida cada vocábulo de um qualquer livro mil vezes, porque me usurpas a abstracção. Esse em que o teu perfume me devasta o espírito e as tuas palavras aspiram o reencontro. Em que suplico pelo teu toque e tu aclamas o meu coração.
Não. Hoje, espero pela manhã, quase tarde do amanhã, na expectativa de te ter. É esse o momento pelo qual aguardo. O nosso.
Bons sonhos.

7 de agosto de 2010

Diana - Desastres no Autocarro - Sequela

Queria iniciar esta entrada por um cumprimento adequado a vossas excelências que lêem o nosso blogue (Os fantasminhas.). : b
Olá. : )
Hoje foi um dia repleto de aventuras e acção (E muito Coldplay. - Cortesia do Artur.). Enfim, sem mais delongas descreverei as peripécias de hoje. : b
Iniciei o meu dia com um acordar horrível (O horário das férias já penetrou em mim.), seguindo-se de um pachorrento caminho para primeiro autocarro do dia.
Na meia hora que esperei para que o meu cortês motorista se dignasse a chegar, passou uma senhora idosa por mim. Essa senhora, dedica-se à actividade estimulante de limpar o meu prédio! : b
Resumirei o já curto diálogo:

Senhora:
- Então, não estás de férias?
Ao que eu respondi:
- Sim, estou, mas este ano a minha família decidiu não sair de Leiria.
Senhora:
- É que, é em Agosto que as pessoas normais têm férias, não é (Auto-denominando-se extraterrestre.)?
Eu (Já saturada.)
- É sim, mas nós não vamos passear este ano.
Senhora (Imperturbável.):
- Ok, até logo (Não voltei a vê-la.).



Depois deste primeiro encontro com o extraterrestre, apanhei o dito autocarro para a rodoviária de Leiria, e daí, em conjunto com o Artur, apanhei o autocarro para a infame praia de São Pedro de Moel (Ou Molela, dependendo da pessoa a quem perguntares.). Planeáramos uma ida à praia, eu e o Artur, de forma a pudermos visitar a nossa Mari, que está de momento a passar férias junto ao mar.
Quando por fim, chegámos à praia, o Artur, ao despir os seus calções apercebeu-se que se tinha esquecido dos calções de praia e permaneceu em boxers grande parte da estadia.
Passadas várias horas, um Compal Vital horrível e uma sandes repugnante, eu e o Artur dirigimo-nos à paragem a fim de apanhar o autocarro das 18h, para o qual tivemos de correr.
Tudo decorria na perfeita normalidade do regresso a casa quando sofremos uma paragem abrupta (Utilizei esta palavra pelo puro enfatuamento.) devido a um acidente, que envolvia três carros e ocupara as únicas duas vias, da estrada. Entretive-me a cantar Solta-se o Beijo e a ouvir várias músicas dos Coldplay, no tempo que permanecemos esperando que alguém (A polícia incompetente. - Apenas neste acidente, não querendo generalizar.) retirasse os carros da estrada.
No decorrer da nossa espera ouviram-se várias exclamações entusiastas, que envolviam tudo, desde a ambulância à maçã que comia para passar o tempo.
Do género:

(Digam-no de maneira extasiada.) - Vou perder o outro autocarro! Podemos ficar aqui horas! ou - A mulher não saí do carro, deve ter magoado a coluna.

O que é certo é que várias saídas do autocarro depois, até eu, que não me mexera, já sabia a vidinha completa da senhora que ia na ambulância, atingida pela curiosidade do público.
Por fim, libertaram a estrada e seguimos caminho.
Quando, finalmente, esperava que o suposto entusiasmo do dia terminasse, encontro uma porta de entrada partida e uma história mirabolante da minha família, com protagonista um rapaz dos seus cinco anos que caíra pelas escadas abaixo, partindo a porta de entrada do prédio. A minha mãe, auto-proclamada heroína do dia, estancou o sangue do profundo corte da perna do rapaz e chamou uma ambulância.
O dia terminou comigo a escrever-vos isto a altas horas da madrugada (Exagero.) e entre empregadas extraterrestres, pessoas do autocarro alucinantes e estilhaços de vidro ensanguentados, termino a minha já exaustiva e longa entrada.

Beijo.

P.S.: (Nota para mim própria.) Lembrar ao Artur de não se esquecer dos calções de praia quando pretende efectivamente ir à praia.

P.S.S.: Só consegui encontrar uma imagem que possuí-se dois dos lapsos de hoje. : b

4 de agosto de 2010

Diana - O Mundo


Ergui um muro débil, vidrado que traria pudicícia a tantos outros, firmes e endeusáveis. Esse caiu. Contumaz, edifiquei outro, orgulhoso mas portador da mesma fragilidade. Sustentei-o para que aparentasse força. Para que fizesse brio aos de longe. Detentor de beleza fausta e ilusor dos sentidos.
Tombou.
Perdi a coragem para voltar a pelejar o Mundo. Deitei-me sobre os destroços e chorei-os.
Cedi.

2 de agosto de 2010

Artur - Disforme


Um sonho sem mundo, era esse da minha luz. Um mundo sem sonho, era o da minha escuridão. Um sitio sem nome num estado de dormência perpétua. E eu caminhava por lá, indubitavelmente glorioso em todo o meu paço, único em aspecto. Diferente de tudo o resto. O som, não era. As formas, disformes, contorciam-se em agonia luminosa, mas sempre silenciosa. E muito cuidadoso, toquei na pedra levitante, sem ver o mundo que me sabia, no seu centro luminoso. O homem do piano sorriu, tocou o instrumento, morto, sem emitir um som. Mas os meus olhos ouviam, e os meus lábios sorriam. Pois estavas comigo, naquele sonho sem mundo, naquele espaço sem fundo...