13 de maio de 2010

Diana - Divagações Poéticas em Prosa - 5

Estou contigo.

Caminhámos perdidas uma na outra, ausentes do concreto. Descrevo aquele momento com as lágrimas que não derramei, que choro, hoje. Nunca me sentara nem o contemplara como ela o fez, nunca o vi com os seus olhos, pequeno pedaço de terra.
Incontáveis vezes passei lá, incomodada pelos olhares indiscretos, sozinha e depositara uma flor amarela, como ele desejara. E fi-lo, durante anos, sem qualquer tipo de regularidade, mas fi-lo sempre. Vi-te sentar-te diante dele e contemplá-lo, sentei-me, tonta, perdida no momento e influenciada por ti, como se de coisa normal se tratasse. Observei-o com os teus olhos. Vislumbrei as pequenas conchas, a pequena taça com água, as pedras brilhantes, as pulseiras doces e os desenhos repousando naquele rectângulo de terra seca. Nunca permanecera tempo suficiente para o fazer. Vi-nos sentadas por tempo impossível de determinar, olhando-o. Vi-me descreve-lo, falar dele, como nunca o fizera. Lembrei-me dos murmúrios tristes, das palavras de lamento e procurei consolo em ti. As tuas palavras, os teus suspiros e os teus silêncios permitiram-me que dividisse a tristeza aprisionada, que mantive sempre como uma melancolia inexplicável. Recordei todos os recantos, as histórias e momentos que não valorizei. Permaneci assim, sentada diante da sua campa sentindo os carinhos ali depositados. Era a mais bela, a mais natural, a mais simples, como ele o fora e como tu a descreves-te. Fraco mas incrivelmente perspicaz. Recuso-me a pintá-lo como não era pela sua simples ausência. Era um dos meus protegidos que não protegi, o que me agarrava a mão que lhe não agarrei. Era puro de sentimentos e ingénuo. Guardo-o como a pessoa que me fez reflectir em todas as pequenas coisas que nada importam. Ao meu lado, ajudaste-me a senti-lo, a percebe-lo. Ao teu lado percebi que nunca lhe dei a mão como deveria. Não dei a mão a ninguém, como pretendia. Dou-ta a ti.

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